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Galeria do DEMAE

Nessa exposição, Márcia Rosa e Rosana Almendares operam imagens resultantes da fotografia e vídeo, submetendo-as a manipulações digitais que refletem o olhar particular de cada artista. Em Descartável, Rosana volta-se para a curta linha de tempo na qual se dá a transformação de um objeto, desde o momento de sua utilização até seu destino final, o lixo.
Em Desaparecidos, Márcia Rosa trabalha com a imagem de pessoas muito próximas, seus próprios filhos submersos na água, e, também, com o rosto de pessoas anônimas, anunciadas publicamente como desaparecidos.
A transformação dessas diferentes desaparições sob forma de vídeo e objetos é o ponto de tangência e diálogo que motivou a proposição de Inquietações

DESCARTÁVEL
Na série de trabalhos que intitulei DESCARTÁVEL, tenho explorado a forma, a transparência, a delicadeza e as linhas do objeto que elegi como representante deste tema, ou seja, a colher de cafezinho descartável.

Ao criar desenhos a partir da forma deste objeto, ao fotografar, filmar e manipular digitalmente as imagens resultantes deste processo, descubro outras facetas deste objeto que passa desapercebido no nosso dia-a-dia. Tanta fragilidade numa forma que repetida inúmeras vezes cria imagens intrincadas, semi-transparentes, uma verdadeira trama de linhas sinuosas.

Explorar e descobrir tantas sutilezas e possibilidades desta forma me faz pensar que podemos, e na verdade devemos, parar e refletir sobre o ato de descartar que está tão impregnado no nosso comportamento.
Diariamente uma infinidade de produtos que têm por objetivo facilitar nosso dia a dia , nos são oferecidos. Facilidade, praticidade, eficiência, rapidez e como conseqüência, muito resíduo.
Em nossos atos cotidianos, repetitivos e automáticos, nos desfazemos de tudo o que consideramos descartável. Ao repetir inúmeras vezes a forma da colher de certa forma estou imitando este ato cotidiano, mas crio outras possibilidades que interrompem o destino inevitável de tudo que é descartado – os lixões das cidades.

As conseqüências deste descartar que encaminha toneladas e toneladas diárias de resíduos para estes lixões, não se restringem ao meio ambiente, o que já é desastroso, mas atingem todo um sistema social.

É fundamental então, despertarmos.

É necessário acreditar que existem outros caminhos.

Rosana Almendares
2007

 

¹O conceito de descartável extrapolou o universo dos objetos e as fronteiras do sistema de mercado. Chegou ao comportamento humano e ganhou a denominação de cultura do descartável.
Então o que fazer com as sobras de nossa sociedade? O que fazer com os descartáveis? Esta tem sido a grande preocupação de ecologistas e de todos que estão percebendo os efeitos destes resíduos sobre a natureza.

Esta série de trabalhos denominada Descartável não tem a pretensão de responder a esta questão, mas sim de propor um segundo olhar, uma maior atenção ao que passa desapercebido no cotidiano. O descartável não aparece através de um ato, uma performance, uma atitude, e sim sob uma abordagem estética numa tentativa de romper uma linha de tempo muito curta entre a utilização de um objeto e o seu destino final que é o lixo. Para isso são utilizados objetos destinados ao descarte, em especial as colheres de cafezinho, evidenciando suas formas singelas e alterando sua funcionalidade propondo uma revisão de valores e um pensamento atento às conseqüências desta cultura do descartável que vem atingindo a natureza e os
relacionamentos humanos.

MÁRCIA ROSA
ROSANA ALMENDARES